quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ovo Colorido...

Em uma cidade grande como Salvador, o meio gay parece de longe um grande ovo (colorido) de codorna. Sempre que pensamos estar diante de uma pessoa nova, de uma perspectiva de relacionamento ou algo parecido, descobrimos que é somente mais um que seu amigo mais próximo, ou alguém do seu convívio na empresa já conhece, sabe de algum podre ou já pegou antes de você.

Aqui [em Salvador] é extremamente difícil ser homossexual, não apenas pelo preconceito, mas pela total falta de oportunidades de se iniciar um relacionamento no mínimo durável ou inédito. Sem os mesmos famigerados vícios dos anteriores ou que pelo menos o seu ex já não tenha pego o ‘possível’ atual!

No período de mais ou menos dois anos amando intensamente uma pessoa, que não me corresponde e pega quase que 80% das bichinhas mais moles, teenagers, bobas e inexperientes da cidade, visto que, o mesmo tem quase 30, eu somente conheci pessoas parecidas. Não fisicamente, mas nas atitudes, nas imaturidades e nos péssimos históricos de relacionamentos anteriores. Atualmente convivendo há mais de 6 anos com o mesmo seleto grupo de amigos, estamos todos solteiros! Indo e vindo de relações vazias, sem comprometimentos e onde apenas, em meio a todos nós, um novo amigo está namorando. Detalhe: namorando meu primo e pra variar esse amigo não é baiano. Lógico!

Salvador se tornou uma selva, onde nós somos os únicos animais sobrando, porque os ativos ou estão em extinção ou são os humanos da história. Todos vestidos de Peter Pan, com suas cabecinhas pequenas achando que jamais irão envelhecer... Curtindo aqui, bebericando ali, subindo e descendo pelos guetos gays, esperando que suas próximas relações sejam melhores que as anteriores. Sejam perfeitas! Coisa que nunca acontecerá.

Numa festa bem animada que fui esse mês, conheci um carinha super charmosinho, gentil, jeito bem “hominho”, com apenas 21 aninhos. Havia prometido a mim mesmo não me envolver mais com esse tipo de menino, mas as possibilidades já são tão poucas, não sei se seria certo limitar-me mais ainda. Contudo, isso não foi o suficiente e algumas das pessoas que eu conheço já o conheciam e me falaram muitas coisas a seu respeito. Primeiro pensei em desistir de vez, mas no meio no qual vivemos nem sempre as opiniões podem ser levadas em consideração, nem mesmo as nossas!

De uma maneira ou de outra, ele me fez esquecer por uma semana o tal Peter que me preteriu às ninfetas pomposas da cena gay, com seus pirulitos e dancinhas clichês de boates! Ele tem todos os pré-requisitos pra não dar certo, mas o que seria o certo entre nós [gays]? Acho que cansei de tentar criar uma regra e vou deixar acontecer. No momento minha vontade é só de beijá-lo como um adolescente e se tiver de rolar algo mais, veremos...

Se eu já sou independente, assumido, dono da minha vida e de meus atos, o que pode me acrescentar alguém como eu? Talvez esteja aí a fórmula da juventude dos Peter Pans coloridos do novo milênio, a relação que nos faz levar a vida com menos compromisso, sem muitas pretensões. Nunca é demais voltar aos 20 anos e relembrar como foi, ou descobrir como seria nos dias de hoje. Vamos ao cinema, vamos aos fast-foods, bebericar também, sem dancinhas clichês e os pirulitos...rs! Vamos nos permitir...

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