A velha exposição está sempre nos cercando. Não sei se vocês já repararam, mas todos os caras mais fortinhos (fisicamente) que conhecemos, colocam no perfil do Orkut mais fotos dos seus corpos do que de seus rostos.
Interessante como o sentido da palavra “perfil” mudou. É como se eles dissessem: “Olhe esse braço ou esse peito, sou eu!”. O pior é que normalmente nas pequenas frases que os descreve ou em seus próprios sobrenomes, encontramos palavras do tipo ‘lost’ (perdido), ‘alone’ (sozinho), ‘te esperando’, ‘te querendo’ e outras expressões que nos remete a solidão.
Isso se tratando dos gays, porque quando são os moleques no máximo tem o trecho de qualquer coisa escrita de maneira errada ou as palavras ‘prost’, ‘black’ ou gogoboy. Nesse último exemplo, em sua maioria são os mais magrinhos [risos], como se não soubéssemos o que são gogoboys de verdade!
Já pensei muitas vezes que um belo corpo era o único caminho para a felicidade gay que tanto procuramos, mas cada dia que passa percebo que não. Conheço ativos malhados, muitos passivos malhados e além do corpo em comum só vejo a solidão, namoros rápidos e cada vez mais rápidos, pessoas vazias e que são usadas como instrumentos de exposição na boate, na rua, nas festas e muitas vezes por gente nem tão bonita ou gostosa quanto eles.
Todos os dias nós absorvemos mais e mais o modelo hétero de viver, mas o problema é que não estamos prontos para viver relações como héteros, se é que devemos. Dentro de nós existe um mau hábito de repetir os erros e de achar que mudanças externas, como no nosso próprio corpo, mudarão nossas vidas.
As bees com seus peitões e roupas justas, músculos e mais músculos e onde fica o resto?! Quem vai se importar com o seu conteúdo quando o que está do lado de fora é mais gostoso, chega antes da sua personalidade e chama mais atenção que o seu rosto ou o seu bom humor?! Então não reclame!
A sensação que eu tenho é a de se preparar para um abate eminente. Se alimente bem no meio gay, cresça, fique bem malhado que certamente alguém aparecera irá fatiar você em pedacinhos, vai comer e “bye bye”. Não espere por amor, por relacionamento, você é objeto de desejo, ou você por acaso, espera namoro quando vê um gogoboy dançar na Off? A diferença é que sendo um gay malhado as possibilidades de fuder com ele aumentam muito mais do que com o gogo.
Sinceramente, não sei até que ponto vale a pena ser bibelô. Ficar aberto a visitação e ser usado como um remédio. Porque no fundo mesmo, o que queremos é uma boa companhia, mas nossos instintos masculinos, que ainda existem, nos fazem querer o animal, o sexual, a foda como válvula de escape. Mas na hora de amar ninguém escolhe quem será.
Eu ainda espero que os malhados continuem se reproduzindo (adoro), mas que eles também continuem gays, racionais, humanos e não bonecos inflados. Atualmente ser malhado é uma moeda, é como vestir uma grife e sair por aí. Mas meu maior problema com esse crescimento do “segmento” é saber se o malhadinho vai te dar ou te comer.

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